2011-11-24

Diz (e muito bem) o Daniel Oliveira: greve geral: aprender com coragem

Notícias recentes dão-nos conta que 700 trabalhadores chineses de uma fábrica de calçado desportivo, em Yucheng, que fornece a Nike e a Adidas, entraram em greve. Resistem a despedimentos e à redução dos seus já miseráveis salários. Foram, como é evidente, ferozmente reprimidos. Como se sabe, o impressionante crescimento económico da China não tem sido acompanhado por aumentos salariais proporcionais. A sua miséria serve para acumular riqueza em meia dúzia de mãos.
Estes trabalhadores suspeitam que se prepara uma deslocalização. Mesmo sendo trabalhadores muito baratos há ainda mais barato que eles num outro lugar do planeta. E esta "contenção salarial", como agora se chama à escravatura, é garantida por um regime totalitário que os mantém ordeiros e obedientes. Não faltará quem lhes diga que o risco que correm com esta greve, para além da prisão, é a da empresa ir mesmo embora. Que o melhor que teriam a fazer era comer e calar. Porque a vida é mesmo assim.
Esta greve, e tantas outras que, apesar da repressão, se vão multiplicando na China, é uma esperança para todos nós. A luta social do chineses é o que mais facilmente pode travar a competição entre países para degradar a vida dos trabalhadores. E esta competição vem sempre com uma chantagem: ou aceitam, ou vão para o desemprego. E não falta quem tente mascarar isto de justiça global. Empobrecemos para os chineses viverem melhor. Chega então o memento em que os chineses ouvem o mesmo argumento: empobrecerão para outros quaisquer viverem melhor. Até, globalmente, vivermos todos pior. Menos os que lucram com esta concorrência pela miséria.
Os chineses que fazem greve são também uma lição. O risco que correm, ao fazer uma greve, é incomensuravelmente maior do que aquele que corremos. Por enquanto, ainda temos o direito à greve. Podemos perder o emprego? Sim, muitos dos que estão na situação laboral que este governo sonha para todos nós - sem segurança nem contratos -, podem. Podemos perder uma promoção? Sim, podemos. É o preço que se paga pela coerência e coragem.
Cada um decidirá se vale a pena. Se a defesa da escola pública para os seus filhos, dos hospitais para si e para os seus pais vale o risco. Se a resistência ao assalto aos seus salários, às indeminizações por despedimento, aos subsídios de natal e de férias, às reformas para as quais descontaram e aos seus impostos vale o risco. Se o nosso futuro como comunidade e se a defesa do Estado Social que nos garantiu, apesar da nossa pobreza, uma vida um pouco mais digna (é comparar os números de há quarenta anos e de hoje) merece esta luta. Sendo certa uma coisa: se a greve de amanhã não se justifica, nenhuma outra se justificará.
O argumento contra a greve é sempre o mesmo. É sempre a mesma chantagem. Que ela só piorará a nossa economia. Que precisamos "é de trabalho". Aqueles que vivem à custa do nosso esforço, do nosso trabalho e dos nossos impostos contam com isso. Contam os que esperam reduções salariais - que, como se vê pela China, nunca nos permitirão competir com ninguém, porque lá no fundo do poço há sempre quem receba menos para produzir mais - para aumentar ainda mais a desigualdade no mais desigual dos países europeus. Contam os banqueiros, que fazem exigências ao governo para determinar as condições para receberem o dinheiro que os contribuintes pagarão com juros. Conta o governo, que entre a troika e os banqueiros, tem de escolher a quem cede, sem nunca passar pela cabeça ceder a quem trabalha. Porque se quem trabalha não mostra o poder que tem não tem poder nenhum. Não conta na equação de governos avençados a interesses. Governos que só se lembram de onde vem a sua legitimidade em campanhas eleitorais. Campanhas onde nos prometem o que não tencionam cumprir.
Na vida, nada se consegue sem luta. Tudo o que temos - do Serviço Nacional de Saúde à Escola Pública, do salário mínimo às férias e fins-de-semana - custou demasiado a muitos para desistirmos sem resistir. Foram criados porque os que vivem apenas do seu trabalho foram suficientemente corajosos para mostrar que sem eles não há paz social, não há produção, não há riqueza, não há lucro. Que eram e continuam a ser eles que criam a riqueza. De tempos em tempos isso tem de ser recordado.
Vivemos um momento histórico. Tudo está em causa. Os nossos direitos são tratados, por uma elite que vive numa redoma social, como privilégios. A nossa dignidade é tratada como um luxo. Não falta quem nos explique que é de cabeça baixa e em silêncio que sairemos desta crise. Cada um por si. Cada país por si, cada trabalhador por si, cada cidadão por si. Paralisados pelo medo que nos vendem em horário nobre. Nunca foi assim que nenhuma sociedade evolui.
A greve de amanhã não nos tirará da crise. Nem arruinará o País. Mas, se ela correr mal, é um sinal que damos. Um sinal de desistência e resignação. Na sexta-feira, se isso acontecesse, estaríamos todos mais desesperados, sozinhos e derrotados. Prontos para perder tudo o que conquistámos com muito mais esforço do que aquele que nos é pedido para esta greve. Às vezes, não trabalhar é a única forma de mostrar a quem tem poder que é do nosso trabalho que o seu poder depende. Espero, por isso, que corramos um décimo dos riscos que os trabalhadores de Yucheng correram. Pela mesma dignidade a que eles julgam ter direito. Quem falta nos momentos históricos não se pode queixar da história. Porque ela é feita por nós.

2011-11-23

GREVE GERAL. 24-11-2011: EMBAIXADA FECHADA



Informamos os cidadãos Portugueses residentes no Principado de Andorra do encerramento definitivo da Embaixada de Portugal muito em breve. Amanhã, 24 de novembro, é soh por GREVE! 

2011-11-22

AGUIA VOA BEM ALTO!!!


Benfica apurado para os oitavos-de-final
O Benfica empatou esta noite em Old Trafford 2-2 frente ao Manchester United, como golos de Jones (p.b), Berbatov, Fletcher e Aimar. Com este resultado os "encarnados" estão apurados para a próxima fase da Liga dos Campeões.
Com alguma sorte nos momentos essenciais do jogo, e muito mérito repartido por 90 minutos, o Benfica carimbou um apuramento histórico em Old Trafford. O empate (2-2) com o Man. United deixa os encarnados nos oitavos-de-final, e a uma vitória caseira, sobre o Otelul, para terminar o grupo C em primeiro lugar.

Um começo de sonho embalou a equipa de Jorge Jesus para o apuramento: da primeira vez que passou o meio-campo com a bola dominada, Witsel libertou Maxi na direita e este deu a Gaitán o espaço para um cruzamento-remate. A bola desviou no pé de Jones e traiu De Gea, gelando os adeptos dos «red devils» e levando ao delírio os cerca de 3 mil torcedores encarnados que fizeram a viagem até Inglaterra.

2011-11-21

"Calhau da Ilha" gasta 3 milhões em luzes de Natal e fogo-de-artifício



Veja como vão arder os nossos impostos!

A Madeira vai gastar mais de três milhões de euros em luzes de Natal e no fogo-de-artifício da passagem de ano, informa o «Público».

O pagamento, contudo, só vai ser feito em 2012, porque o Governo Regional está agora com falta de liquidez.

A adjudicação foi feita por ajuste directo à Luzosfera, empresa do grupo SIRAM. Isto depois de o concurso público ter sido cancelado, por queixas dos outros concorrentes.

A empresa é do antigo deputado regional do PSD Sílvio Santos e é favorecida pelo Governo Regional desde 1996.

Os trabalhos de montagem da iluminação natalícia já começaram...

2011-11-20

" Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro se esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem o presente, nem o futuro.
E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido."

(Do nosso correspondente Soares dos Reis)

Texto - Reflexão em linha recta


REFLEXÃO EM LINHA RECTA
A ponto de dormir,
Tenho algo a apontar,
Sem conseguir.
Acordo, ponto inicial.
Preciso que o ponto
Abstracto seja tangível.
Em suma, fazer o ponto.
Apontar para lembrar
Mas como apontar, agora
Acordado. Ponto; pronto.
Divagassem ordenados,  
Os pontos criariam linha.
(Talvez se sem existência
Própria, talvez não seguindo
Linha independente).
Depois outros pontos
Viriam, desordenados
E criariam outra linha.
Jamais linhas colidiriam
Por simples e mero acaso.
E afinal, seriam quê?
Mas achei, repentinamente
(E por mero acaso que so o
Espirito poderia explicar,
A preocupante intriga).
Não encontro bem o ponto
Que me conduziu a linhas
Paralelas. E agora estou feliz
Descobri que paralelas se
Podem encontrar.
Paralela sem acidente
Não produz felicidade…
A força do espírito deve
Leva-las a colidirem para no
Choque criarem explosão
De fraternidade.
Agora sim de novo dormindo
Ressurge a ideia parabólica:
Há paralelas que por vezes
Se encontram sem que   
De excepção se trate.
Encontram-se quando a matéria
Da matéria da sua constituição
Irresistivelmente se atraem.

Andorra, quinta-feira, 20-11 – 3 horas

O desenho do dia 20-11-2011


As nossas desculpas ao Facebook que, afinal, não censurou o quadro de Courbet "l'origine du monde"

Facebook, afinal não censurou quadro de Courbet "l'origine du monde"


Origem do mundo escandaliza os críticos do Facebook
Aos "seguidores": A minha pagina não desapareceu da "blogosfera"; apraz-me registar que o "Facebook" respeita a liberdade de expressão. Obrigado.

A obra de arte «L'Origine du monde» (1866) de Gustave Courbet com a imagem de uma vagina foi censurado pela maior rede social, o Facebook.

Matthew Weisten, pintor, escultor e artista, que já expôs o seu trabalho na Galeria Sonnabend em Nova Iorque durante vinte anos, descobriu que a sua conta do Facebook foi suspensa depois de ter publicado o ícone da obra de arte de Courbet.

Não é a primeira vez que o Facebook já suspendeu contas por causa do seu conteúdo composto por imagens consideradas de carácter sexual, nudez ou mesmo demonstrações de afecto.
 
(No caso de Weinstein, foi lapso sem duvida)

2011-11-19

Diz "O Pais do Burro": o "camarada Mario Soares"


Sem eleições à vista: «Mário Soares responsabilizou a chanceler alemã, Angela Merkel, pela decadência da Europa e sugeriu um papel interventivo do Banco Central Europeu (BCE) na resolução da crise, através da emissão de moeda. “A Europa deixou de ter líderes”, disse Mário Soares, sustentando que Angela Merkel “é uma pessoa que tem grandes responsabilidades na decadência da Europa” e na situação de crise vivida em Atenas.» (hoje)

Com eleições à vista: «Mário Soares não é daqueles que tem o emprego ou o negócio em risco, Mário Soares não é daqueles que tem a reforma em risco, Mário Soares não é daqueles que tem a carreira em risco, Mário Soares é daqueles que tem uma fortuna que o mantém fora de qualquer sobressalto. Logo, Mário Soares diz não ser daqueles que têm muito medo do Fundo Monetário Internacional (FMI). Acredito.» (2 de Abril de 2011, dois meses e três dias antes das eleições)

Video - Aurora de tempestade solar

Os astronautas da Estação Espacial Internacional fotografaram a aurora desde Agosto até Outubro e agora há um vídeo que mostra toda a sequência.

Nas imagens pode ver-se uma luz verde a formar-se à volta da Terra.

As auroras são provocadas pela interferência de tempestades solares com a atmosfera e têm sido mais comuns do que o habitual nos últimos meses.

Earth | Time Lapse View from Space, Fly Over | NASA, ISS from Michael König on Vimeo