2012-09-10

Fiz o Daniel Oliveira - "Anatomia de um assalto: a mentira da equidade"


O Tribunal Constitucional foi claro: tirar dois subsídios aos funcionários públicos punha em causa a equidade. E não deixou espaço para equívocos: os recursos que o governo procurava não podem apenas ser retirados dos rendimentos do trabalho.
As medidas apresentadas na sexta-feira pretendem, segundo o governo, responder a esta decisão de um tribunal superior. O resultado foi este: continuam a retirar-se dois subsídios aos funcionários públicos e a roubar-se dois aos pensionistas. Acrescenta-se ao assalto um salário retirado, por via dos descontos à segurança social, aos trabalhadores do privado.
Tirando a generalização do roubo aos trabalhadores por conta de outrem, onde está a equidade? Onde está o contributo, pedido pelo Tribunal Constitucional, do capital? Passos Coelho anunciou que ele viria. Mas absteve-se de apresentar qualquer proposta. Suspeito da razão para tal omissão: é provável que a apresentação do que será pedido a quem vive do seu salário no mesmo momento em que se apresentasse alguma evolução na taxação de outras fontes de rendimento tornasse demasiado clara a desigualdade na distribuição de sacrifícios.
Mas Passos Coelho foi bem claro quanto ao destino a dar ao dinheiro dos salários roubados aos trabalhadores, através do aumento em 60% dos seus descontos para a segurança social: uma parte vai para o Estado, tentando assim tapar a cratera que a desastrosa política fiscal de Vítor Gaspar nos deixa, a restante vai para o empregador, com a redução da taxa social única. Ou seja, a desigualdade na distribuição de sacrifícios, em vez de ser amenizada, com exigia o Tribunal Constitucional, foi reforçada. Não há mais equidade, há menos. É aos que têm pago sozinhos esta crise que tudo continua a ser exigido. Já muito para lá do que lhes é humanamente possível dar.
Esta injustiça, repetida vezes sem conta, dificilmente poderia, no país mais desigual da Europa na distribuição de rendimentos e o que, desde a crise, tornou o seu sistema fiscal mais injusto, fazer alguma coisa pela economia portuguesa. Mas, reduzindo ainda mais o poder de compra e rebentando definitivamente com o mercado interno, apenas ajudará mais um pouco a afundar o País. O resultado da receita já se conhece: aumento do desemprego, queda do PIB, queda das receitas, desastre no défice. O dois em um: mais longe de recuperar a economia, mais longe de sanear as contas públicas. O pleno, portanto. Se não resultou antes, não passará a resultar agora.
O mesmo governo que sistematicamente rouba nos rendimentos do trabalho, não se preocupando sequer em dar a ideia de que quer distribuir com alguma justiça os sacrifícios, nada muda na sangria dos dinheiros públicos e da economia para pagar rendas a quem tenha bons contactos ou um monopólio. A Parceria Público-Privada para a construção do Hospital de Todos os Santos, que substituirá vários hospitais públicos existentes, segue em frente com a bênção da troika. A peregrina ideia de concessionar um canal da RTP, pondo os contribuintes a pagar um negócio privado, ainda não foi definitivamente enterrada. E a EDP continua a sugar as empresas, contribuindo para custos de contexto insuportáveis. Não, não estamos perante um governo "reformista". Os interesses que contam continuam intocados. Estamos perante assaltantes que só conseguem fazer grossa para a arraia miúda.

Marcelo defende remodelação governamental urgente

"Passos Coelho não teve a noção do impacto que isto tinha nos portugueses. Aqui também há um problema dos conselheiros dele", afirmou hoje Marcelo Rebelo de Sousa no seu comentário semanal na TVI.
Segundo o professor, o primeiro-ministro errou ao anunciar estas medidas de austeridade, porque não mediu o seu impacto, nem tão pouco soube explicá-las, pelo que cabe agora ao ministro das Finanças, Vítor Gaspar, dar as justificações.
"Não foi explicado, por exemplo, porque falhou o programa de austeridade em curso e como é que os novos cortes vão produzir efeitos em 2013", acrescentou.
Marcelo Rebelo de Sousa acusou, por isso,  o primeiro-ministro de "impreparação" e defendeu uma remodelação governamental urgente.
Para o comentador político, esta atitude do primeiro-ministro significa uma "pré-rutura do país com ele", que terá consequências que não foram antecipadas.
Outra das críticas de Marcelo prende-se ao facto de os cortes não abrangerem todos os portugueses, sendo que os membros do Governo deviam ser também afetados.

"Quando está a pedir sacrifícios ao mexilhão, tem de explicar o que faz aos outros"
, concluiu.

Marcelo acusa Passos de ser um primeiro-ministro impreparado


Marcelo Rebelo de Sousa acusou neste domingo Passos Coelho de ser um primeiro-ministro “impreparado” e de ter feito um discurso ao país “no mínimo descuidado e no máximo desastroso”. E diz que há um aumento de impostos.
 
No habitual comentário da TVI, o antigo presidente do PSD e actual conselheiro de Estado não poupou palavras críticas em relação ao actual líder “laranja” e primeiro-ministro, por causa da intervenção que este último fez na sexta-feira em que anunciou mais medidas de austeridade.

Para já, Marcelo diz não ter ainda todos os dados para considerar
se as medidas são ou não constitucionais. Para o também conselheiro de Estado de Cavaco Silva, o discurso de Passos teve uma parte concreta e outra vaga. A concreta foi a parte em que anunciou os cortes de salários para a função pública, pensionistas e privados. Já a vaga foi a que não explicou como vai tributar o capital, como vai cortar nas fundações, nas Parcerias Público Privadas.

“Para o mexilhão foi concreto, para outras espécies mais sofisticadas foi vago”, concluiu Marcelo.

O antigo presidente social-democrata criticou também
a mensagem que Passos Coelho colocou no Facebook, na madrugada deste domingo, afirmando que Passos devia ter tido aquelas palavras dirigidas aos portugueses na sua intervenção.

Para Marcelo, o primeiro-ministro deixou tudo por explicar, nomeadamente por que diz que não vai haver um aumento de impostos. “Ficou a ideia de que para agradar ao PP diz que não é um aumento de impostos quando é”, acrescentou.

Para o professor de direito, o aumento dos descontos para a segurança social de 11% para 18% vai levar à baixa de consumo, “especialmente das pessoas mais carenciadas”, e ao encerramento de empresas.

E para Marcelo a intervenção “desastrada” fica a dever-se “à impreparação” de Passos Coelho.

Marcelo espera agora que o Presidente da República peça esclarecimentos ao Governo sobre o que não foi explicado e que, se tudo se mantiver como está, espera que o Presidente diga ao Executivo que tem de as mudar.

O antigo presidente do PSD tinha ainda mais dois recados para Passos Coelho: devia ter anunciado uma remodelação logo após o seu discurso e “não lhe ficou bem falar antes do jogo da selecção para ver se passava despercebido”.

Passos Coelho: um descaramento inacreditável


O secretário-geral do PCP afirmou neste domingo que passado um ano de Governo PSD/CDS, "a dimensão dos problemas atingiu níveis inimagináveis" e não se resolveu a questão do défice e da dívida, acusando o primeiro-ministro de "descaramento inacreditável" ao anunciar mais austeridade.

"Dissemo-lo e a vida confirma-o. A dimensão dos problemas atingiu níveis inimagináveis. Se o país há muito estava mal, tudo ficou pior", disse Jerónimo de Sousa, na Quinta da Atalaia, no Seixal, durante o comício de encerramento da Festa do Avante! deste ano, depois de lembrar que há um ano, neste mesmo comício, tinha avisado que o acordo da ajuda externa assinado com os credores internacionais "não era um programa de ajuda, mas um pacto de agressão ao país e aos portugueses".
O líder dos comunistas portugueses sublinhou que o Governo PSD/CDS pediu "sacrifícios atrás de sacrifícios" mas "nem um só problema do país [ficou] resolvido".
"Nem aquele com que justificavam esta acção destruidora e este ataque brutal à vida dos portugueses: o controlo do défice das contas públicas. As metas do défice, em nome do qual este Governo pôs o país a ferro e fogo não vão ser resolvidas", acrescentou Jerónimo de Sousa, considerando que se trata de "um fracasso em toda a linha".
"Temos o País no fundo, défice por resolver e dívida a aumentar 6,6 milhões de euros", insistiu.
Para Jerónimo de Sousa é, por isso, um "descaramento" o recente anúncio de mais austeridade: "Agora, aí os temos a dizer que nem tudo correu como previam. E com um descaramento inacreditável a anuncia novas e mais brutais medidas, em nome da solução dos problemas que deliberadamente agravaram e continuam a agravar", afirmou.
"Ultrapassando tudo o que era imaginável e todos os limites da desfaçatez e do cinismo, acabámos de ver o primeiro-ministro, Passos Coelho, com ar pungente, a anunciar um descarado roubo nos salários dos trabalhadores e reformados, em nome do combate ao desemprego", acrescentou, perante os milhares de pessoas que enchiam o recinto envolvente do Palco 25 de Abril da Quinta da Atalaia.
CM

2012-09-09

Bertolt Brecht - "O analfabeto politico"

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."

Bertolt Brecht (1898-1956)

O Cavaco benfeitor

Redes Sociais fazem humor com declarações de Cavaco Silva sobre pensões não chegarem para as despesas (Internet)

Não, Cavaco não esta a pedir para ele; esta a ver se angaria fundos para tirar da miséria as vitimas de "Pedro Conejo y sus Muchachos"!
 
Bendito sejas Cavaco. Apanha, apanha e...não te esquecas de redistribuir os parcos tostõezinhos...
 
Ha, e ja agora, porque és um gajo porreiro, distribui também uma das tuas reformas. Eu sei que estas com dificuldades financeiras mas faz la esse jesto, oh meu!
 
Crê que o Povo ficar-te-à grato eternamente. Obrigado amigo nosso!
 
Ha, e por fim, se não for abusar da tua paciência e bondade, vê là se arranjas maneira de expedir para o quinquagéssimo inferno aquela coisa balofa que serve de Primeiro-ministro a Portugal. Se conseguires, o Povo agradecido até nem te pede qualquer contribuicão. Fica com as tuas miseraveis reformas; o Povo até esquece...conquanto sigas no contentor com a banda "Pedro Conejo y Sus Muchachos".
 
Acho, o Povo acha, que chegou a altura de vocês se porem a milhas enquanto é tempo.
 
A bem...
 
Rio de Janeiro, 9 de setembro de 2012
 
JOANMIRA
 
PS - Se quizeres, vem para ao Rio. Isto aqui esta cheio de corruptos.

Foto - Nuvens espectaculares - estratosféricas polares

As nuvens estratosféricas polares se formam em altitudes entre 15.000 e 25.000 metros. Estas nuvens são raras e formadas principalmente perto das zonas polares durante o inverno, estão envolvidas na formação dos buracos na camada de ozônio


As nuvens estratosféricas polares se formam em altitudes entre 15.000 e 25.000 metros. Estas nuvens são raras e formadas principalmente perto das zonas polares durante o inverno, estão envolvidas na formação dos buracos na camada de ozônio - Eastcott Momatiuk/Getty Images

Omara Portuondo & Chico Buarque - "O que sera" Audio - Music

"O que sera"

Cortes nos vencimentos ou malabarismo contra Chico-espertice: Ganhe dinheiro sem fazer nada!



O novo ataque dos neo-liberais, chefiados por Passos Coelho “y sus muchachos”, vai traduzir-se num corte sensível no rendimento liquido dos trabalhadores. 
Com efeito, o agravamento de 7% dos descontos para a Segurança Social conjugado com diluição mensal de 1 subsidio, vai traduzir-se, na pratica, pelo aumento do vencimento ilíquido, mudança de escalão em sede de IRS e… forte diminuição do salário que o trabalhador leva para casa no fim do mês. 
Além de ser uma afronta ao Tribunal Constitucional, como refere a ASJP (Associação Sindical dos Juízes Portugueses), considerando que  mais uma vez são penalizados os rendimentos do trabalho”, Pedro Passos Coelho e a sua quadrilha de chicos-espertos espera, através do estratagema encontrado, poder continuar a desrespeitar, impunemente, a Constituição. 
Tenho a certeza que o Tribunal Constitucional não vai achar graça nenhuma a esta manobra miserável e que, de novo, vai puxar as orelhas ao burro e retirar, uma vez mais, o brinquedo ao menino birrento… 
Mas, para já, saiba que existe uma solução para não perder dinheiro: GREVE! Ficando em casa sem fazer nenhum, com os óbvios descontos de salário que não deixarão de ser prontamente aplicados, pode fazer baixar de escalão de IRS. Se tiver algum amigo matemático, este não deixara de lhe dizer, em poucos segundos, quantos dias de férias, sem perder rendimento, ganhou com esta decisão economicamente estúpida dos “Passos’s Boys”.  
E esta, hein!
 
Rio de Janeiro, 9 de setembro de 2012
 
JOANMIRA

Salário líquido dos funcionários públicos vai voltar a baixar em 2013





Os funcionários públicos vão sofrer um novo rombo no seu rendimento mensal. É que embora mantenham, na prática, um corte correspondente aos subsídios de férias e de Natal, o novo mecanismo anunciado pelo primeiro-ministro vai resultar num agravamento fiscal em sede de IRS que fará com que os trabalhadores do Estado recebam um salário líquido inferior.
 
 
 
 
Os funcionários públicos vão sofrer um novo rombo no seu rendimento mensal. É que embora mantenham, na prática, um corte correspondente aos subsídios de férias e de Natal, o novo mecanismo anunciado pelo primeiro-ministro vai resultar num agravamento fiscal em sede de IRS que fará com que os trabalhadores do Estado recebam um salário líquido inferior.
Para um salário bruto de 1.050 euros, uma taxa de 18% significaria transferir para a Segurança Social 189 euros. Com o novo vencimento bruto, de 1.137,5 euros, terá de transferir 204,75 euros.

Feitas as contas, este trabalhador, que ganha hoje um salário bruto de 1.050 euros, acabará por perder 35 euros por mês. Falta, ainda, perceber qual o impacto que o crédito fiscal que Passos Coelho anunciou para os salários mais baixos. Mas uma coisa é certa, o crédito fiscal só entrará na bolsa dos contribuintes no ano seguinte, ou seja, em 2014, com o reembolso do IRS.

Os números parecem assim contrariar o que disse o primeiro-ministro durante a apresentação das novas medidas. "O rendimento mensal disponível dos trabalhadores do sector público não será, por isso, alterado relativamente a este ano”. Em reacção, José Abraão, da Fesap, referiu isso mesmo: "O senhor primeiro-ministro anunciou que mantém o corte do subsídio de férias e de Natal. Mas é mais do que isso porque mexe com as tabelas do IRS".