2011-05-19

Artigo - Andorra - Visita sofrida à Andorra portuguesa

O empresário que não pensa regressar, a cozinheira que só quer ganhar umas coroas, o clube de alma lusitana que sonha chegar à UEFA e o supermercado com bacalhau e óleo Fula. Uma visita à Andorra portuguesa

Da janela do quarto andar do Hotel Diplomàtic vê-se o bar por cuja porta saíram apressados, pouco tempo antes, dois rapazes. Atravessaram a Avinguda de Tarragona - é avenida mas nem é muito - para esvaziar a bexiga junto a um pequeno parque de estacionamento. Ao lado, um baldio cercado por telas metálicas estava branco de neve. Temperatura abaixo dos zero graus. Os rapazes, aquecidos, vestiam t-shirt. Não havia gelo que lhes pegasse.

São quase quatro da manhã e Andorra La Vella, núcleo central do principado de Andorra, parece dormir. Num canal de vendas espanhol procura-se convencer os telespectadores que um computador portátil é a 13.ª maravilha do mundo e uma verdadeira pechincha. O bar em frente ao hotel já tem a porta fechada. Dos rapazes, nem sinal. Ninguém na rua.

Está frio em Andorra. Ainda a muitos quilómetros de autocarro...

Joel Dinis acordou às cinco da madrugada e, depois da viagem de comboio entre Aveiro e o Porto, já estará a pouco tempo de ver terminada a jornada de autocarro que começou, quase 20 horas antes, na portuense Praça da Galiza. De camioneta, para ir de Portugal a Andorra, mais de mil quilómetros, gasta-se quase um dia inteiro na estrada. "Vou três ou quatro vezes por ano", conta.

Em Andorra, a língua oficial é o catalão, mas uma comunidade portuguesa com quase de 14 mil pessoas torna o ambiente familiar. A crise já levou muita gente a regressar. Se o turismo resiste, a construção civil ressente-se da conjuntura económica. A emigração está praticamente encerrada - é tarefa quase impossível conseguir uma autorização para trabalhar em Andorra.

Há 18 anos, António Leão da Silva só queria lá ir comprar uma aparelhagem, uma máquina fotográfica e aprender a esquiar. Depois de um par de meses emigrado na Suíça e uma temporada em França na apanha da fruta, resolveu passar pelo principado antes do regresso a casa. Mas arranjou emprego, ganhou dinheiro e, quase duas décadas depois, ainda lá continua. Até já chegou a servir o rei de Espanha.

"Não há condições em Portugal para quem quer buscar a vida", desabafa, num sotaque musicado pelo castelhano. Uma "língua" partilhada por muitos dos que formam a comunidade portuguesa. Inúmeras palavras espanholas polvilham o discurso. António é dono do restaurante "Pa i Vi", já tem mais dois negócios em perspectiva e não pensa regressar a Portugal. Nem quando se reformar: "Tenho uma casa aqui, outra para férias na Costa Brava. Não vejo condições para voltar, tendo em conta o nível de vida que faço".

"Ai que saudades!", exclama Rita Moura, enquanto prepara "bocadillos" (sandes) e uma imensa feijoada à transmontana. Também há carapaus à espera de tratamento para o almoço. "Isto só é bom para férias. Minha rica cidade do Porto...", suspira a cozinheira gaiense que há quatro anos está em Andorra. O filho, Sérgio, cozinheiro como a mãe, chegou primeiro. Os pais, Rita e Delfim, seguiram-lhe as pisadas. "Quero voltar a Portugal, estou aqui para ganhar umas coroas", esclarece logo Rita.

Agostinho vai continuar em Andorra com a mulher e os dois filhos pequenos. Até porque as primeiras dificuldades de integração foram ultrapassadas. A presença de uma vasta comunidade portuguesa ajudou. A relação com os locais, com os andorranos, uma minoria dentro do próprio país, é mais complicada.

Ainda assim os emigrantes rejeitam a existência de xenofobia para com a comunidade lusitana. Concedem que, entre milhares de portugueses, há sempre quem arranje problemas e que isso, por vezes, poderá acarretar prejuízos à imagem da comunidade. António da Silva Cerqueira, presidente d' "Os Lusitanos", lembra-se bem do trabalho que deu apagar a conotação negativa da equipa "portuguesa" que disputa a primeira divisão de futebol de Andorra.

"Tinha má fama, pegava-se sempre com o árbitro", recorda. Agora, mais do que barafustar, o objectivo é garantir, pela primeira vez, a presença na Taça Uefa (através da conquista da Taça de Andorra). Apoio não falta.

Num principado onde é difícil andar na rua sem esbarrar num português, é uma equipa formada quase exclusivamente por craques nacionais (há apenas três "estrangeiros") que leva mais gente ao estádio, constata António José Fernandes - é o treinador Tozé. Funcionário numa empresa de construção civil e com uma paixão pelo futebol "desde garoto", recorda o sacrifício que os jogadores têm de fazer para, depois de uma jornada de trabalho, terem disposição para treinar. Sobretudo no Inverno, com temperaturas muito baixas: "Numa destas noites chegámos e o campo tinha 30 a 40 centímetros de gelo".

No supermercado de Maria Conceição não entra frio. Aos 46 anos, leva quase metade da vida em Andorra. Ninguém diria, ao entrar no Luso Shopping. Nas prateleiras há massas Milaneza, cerveja Sagres, óleo Fula e fumeiro de Montalegre. E bacalhau. Sempre o bacalhau. "Os portugueses buscam o que é nosso", garante a comerciante, que também tem clientes de outras nacionalidades. Os produtos são todos portugueses. Dá para matar as saudades. Voltar? "De momento é difícil. Então se não há emprego para os novos, quanto mais para nós". Crise por crise, em Andorra sempre se aguenta melhor.

O salário mínimo é de 900 euros e António Leão da Silva garante que pouca gente trabalhará por essa retribuição. O ordenado é sempre mais alto. Aliás, antes da crise ter chegado, um trabalhador da construção, com horas extraordinárias e serviço aos fins-de-semana, poderia chegar a arrecadar entre cinco e seis mil euros. Números que o estado actual da economia transformou em recordações.

"O nível de vida da comunidade portuguesa é bom", sublinha José Manuel Silva, conselheiro para as comunidades portuguesas em Andorra. Não admira, portanto, que quem tem um negócio e a vida estruturada em Andorra encare como difícil o regresso. As férias e fins-de-semana prolongados podem dar para matar as as saudades de Portugal.

Palavra do embaixador? Impossível. Informou o recepcionista, que para falar tinha de pedir autorização prévia ao Governo...

2011-05-18

Liga Europa: F.C. Porto-Sp. Braga, 1-0

Radamel Falcao castigou sem piedade um erro de Rodríguez e ofereceu a quarta glória europeia aos dragões; depois de Viena, Sevilha e Gelsenkirchen, Dublin .

Viena, Sevilha, Gelsenkirchen, Dublin. A Europa pode ter outros amantes, mas reserva uma atenção especial ao F.C. Porto. De cidade em cidade, qual peregrino imbuído da mais sagrada das convicções, os dragões somam conquistas, espalham temor e recolhem respeito. A Liga Europa acaba nas mãos certas, nas mais hábeis e venturosas.

Em Dublin tudo começou devagar, devagarinho. Como quem chega a casa tarde, a tactear o escuro, com medo de acordar quem não pode. O Porto sentiu o espartilho apertado do Braga, foi incapaz de se soltar e submeteu-se a uma vigília dolorosa. Dolorosa e dormente. Só em cima do intervalo, através do 17º voo triunfal de Radamel Falcao na prova, a história mudou de rumo e a letra passou a ser azul.

Le vrai texte du rapport de police accusant DSK

Nous publions, à titre de document, la traduction du rapport de l'inspecteur Steven Lane reprenant les faits reprochés à Dominique Strauss-Kahn, et publié par le site de la chaîne ABCNews. C'est le point de vue de l'accusation : DSK, lui, nie cette version des faits.

Télécharger la plainte déposée contre DSK, mise en ligne par ABC News (PDF, en anglais).

Le peuple de l'Etat de New York contre Dominique Strauss-Kahn (M62).

Le détective Steven Lane, matricule 03295 de la brigade de détectives de l'Unité spéciale de Manhattan, constate ce qui suit.

Le 14 mai 2011, à environ midi, à l'adresse 44W 44th Street, dans le comté et l'Etat de New-York, l'accusé a commis les actes suivants :

  • acte sexuel criminel du premier degré (deux chefs d'accusation)
  • tentative de viol au premier degré (un chef)
  • abus sexuel au premier degré (un chef)
  • séquestration au deuxième degré (un chef)
  • abus sexuel au troisième degré (un chef)
  • attouchements (un chef)

L'accusé a tenté d'avoir, par la force, une relation sexuelle anale et orale avec une autre personne ; l'accusé a tenté d'avoir des rapports vaginaux avec une autre personne ; l'accusé a forcé une autre personne à un contact sexuel ; l'accusé a séquestré une autre personne : l'accusé a obligé une autre personne à un contact sexuel sans le consentement de cette dernière ; l'accusé a de façon intentionnelle et sans raison légitime touché les parties sexuelles et autres parties intimes d'une autre personne dans le but d'avilir une autre personne et d'abuser d'elle, et dans le but d'assouvir le désir sexuel de l'accusé.
Ces attaques ont été commises dans les circonstances suivantes : le soussigné constate que le soussigné a été informé par une personne connue des services du procureur que l'accusé a…
  • fermé la porte du lieu cité ci-dessus et et empêché l'informatrice de quitter le lieu
  • a saisi les seins de l'informatrice sans son consentement
  • a essayé retirer le collant de l'informatrice et de toucher son sexe
  • a fait entrer en contact son pénis avec la bouche de l'informatrice à deux reprises
  • est parvenu à réaliser les actes ci-dessus en utilisant la force physique

Carla Bruni Petit-Sarko est enceinte; on cherche le père de l'enfant


 
 
Le père de Sarko'tizy a annoncé l'heureux évènement à la presse : Carla Bruni-Sarkopetitizi, sa belle-fille, est enceinte. Immédiatement les services secrets de l'Elysée se sont mis en quête de savoir qui était le père du bébé.

2011-05-16

Cristiano Ronaldo bate recorde de golos em Espanha


Espanha: Jogador português bate recorde de golos no campeonato

Ronaldo já faz história

Cristiano Ronaldo bisou na vitória do Real Madrid diante do Villarreal (2-0) e chegou aos 39 golos na Liga espanhola, batendo o recorde (38) que pertencia ao mexicano Hugo Sánchez, ex-jogador merengue, e ao espanhol Telmo Zarra, antigo avançado do Ath. Bilbau.

A primeira parte foi um passeio para a equipa de José Mourinho, que marcou em duas das três oportunidades de que dispôs: primeiro, num belo gesto técnico de Marcelo, que, isolado por Kaká, picou a bola sobre Diego López, e depois num livre frontal superiormente executado por Cristiano Ronaldo.
A vencer por uma margem confortável, os ‘blancos’ baixaram o ritmo e limitaram-se a gerir a posse de bola, sem permitirem que o Villarreal se aproximasse da área comandada por Casillas.
O ‘submarino amarelo’ entrou melhor na etapa complementar e, logo aos 51’, Cani reduziu a desvantagem, mas a reacção dos anfitriões ficou por aí. No último minuto, CR7 repetiu a graça e fez história com mais um portentoso livre directo sem hipóteses para López.

2011-05-15

Artur Moraes, novo guarda-redes do Benfica

«Gostaria que os adeptos do Sporting de Braga compreendessem a minha não permanência»

O guarda-redes Artur Moraes anunciou hoje na rede social Facebook que não vai continuar no Sporting de Braga na próxima temporada futebolística e que ainda não sabe qual o seu futuro clube.
"Gostaria que os adeptos do Sporting de Braga compreendessem a minha
não permanência. Até ao presente momento não tenho contrato assinado com ninguém, prometi esperar até ao final da temporada para definir o meu destino porque quero continuar focado até ao fim", pode ler-se.
O guarda-redes brasileiro, que chegou esta temporada ao clube da Liga portuguesa de futebol e que só assumiu a titularidade pouco antes da saída
do compatriota Filipe, em janeiro, agradeceu "o carinho e confiança" dos adeptos "calorosos e especiais" do clube minhoto.
"Serei eternamente grato e levarei por toda a minha vida a alegria de ter vivido momentos inesquecíveis aqui. Independentemente de onde estiver, o meu respeito e admiração por todos aqueles que me apoiaram, confiaram em mim, me trouxeram palavras de força, credibilidade e reconheceram o meu trabalho e profissionalismo, não mudará", assegurou.
Artur Moraes, de 30 anos, assinou apenas por uma temporada e não chegou
a acordo com o Sporting de Braga para renovar.

15-05-2011: ARTUR, E O NOVO GUARDA-REDES DO BENFICA 

2011-05-14

Cuba - Reportagem TVI24

Cubanos começam a aventurar-se pelos negócios privados e só o turismo lhes dá melhores condições de vida. Não querem nem pensar na entrada dos EUA no país, mas admitem que a mudança só chegará quando os Castro deixarem o poder

 
Foto: JoanMira

A revolução foi há 52 anos. O sonho cubano de um país socialista vai esmorecendo de dia para dia e a evidente pobreza do povo obriga a novos caminhos. Che Guevara e Camilo Cienfuegos, dois dos heróis da Sierra Maestra, já não estão cá para ver no que se tornou a sua luta. Sobraram Fidel e Raul, os irmãos Castro que se esforçam por manter unida uma ilha que grita por mudança.

«Se não sorrirmos, ficamos loucos». Alejandro (nome fictício), um mecânico de 45 anos, ganha 200 pesos cubanos por mês ao trabalhar para o Estado. É o equivalente a cerca de 7 euros. Confessa que não tem nenhuma formação para arranjar carros. «Vai-se inventando». Não passa fome porque o governo lhe dá o racionamento necessário para sobreviver. Carne, açúcar, ovos e feijão chegam todos os meses a toda a gente. Mas a oferta já foi melhor e o governo já avisou que vai continuar a cortar.

O mecânico quer saber tudo sobre Portugal. «Vocês estão pior do que Espanha?» E admira-se pelo nosso «sim», integrado numa pequena explicação do que é o FMI e da ajuda que está a ser dada ao nosso país. Lamenta não ter acesso a essas notícias. «Não temos toda a informação de fora». Dos últimos tempos, recorda apenas ouvir falar dos sismos no Japão e no Haiti.

Apesar das dificuldades, Alejandro tem orgulho em ser cubano. Elogia sobretudo o seu sistema de saúde, garante que qualquer um tem acesso a qualquer tratamento a custo zero e até fica um pouco triste por nós quando lhe dizemos que em Portugal há cada vez mais hospitais privados. No entanto, sabe que o país está a mudar. «Agora deviam deixar entrar aqui a União Europeia e a China». É a sua esperança. Acredita que o dinheiro europeu e asiático lhe traria uma vida melhor. O eterno inimigo é que não. «Se os EUA entrarem aqui, deixamos de ser pessoas».

Cuba está a abrir. O recente Congresso do Partido Comunista Cubano foi um exemplo disso mesmo. Ouvir um Castro a falar de abertura à iniciativa privada e ao investimento estrangeiro seria impensável há uns anos atrás. Os sinais chegam ao povo não só através do «Granma» (jornal oficial do partido), mas sobretudo pela prática: cerca de 500 mil funcionários públicos estão a ser despedidos. É urgente aprender a viver às suas próprias custas.

Guillermo, aos 30 anos, já o faz. Paga 900 pesos cubanos (cerca de 32 euros) por mês ao Estado para ter um carro para guiar turistas aventureiros. Tem um nível de vida muito acima da média, porque os estrangeiros lhe pagam bem. Mostra-nos o seu telemóvel repleto de fotografias e ostenta um relógio e uma pulseira de ouro. «Eu tenho dinheiro, mas não posso viajar. Queria conhecer a Argentina...» Os cubanos não podem sair do seu país, ainda é proibido por lei, embora
vá deixar de ser brevemente. A única forma deste motorista conhecer o mundo é através da Internet. «Tenho acesso a todos os sites. Mas mesmo que eu veja o mundo, não posso conhecê-lo».
http://www.tvi24.iol.pt/internacional/cuba-castro-fidel-raul-castro-reportagem-tvi24/1253075-4073.html

2011-05-10

Anedota alentejana


O Ti Zé Chaparro, aproveitando a viagem a Mértola, foi ao médico fazer um 'xécápi'.


                 Pergunta o médico.
                 - Sr. José, o senhor está em muito boa forma para 40 anos.
                 - E eu disse que tinha 40 anos?
                 - Quantos anos o senhor tem?
                 - Fiz 57 em agora em Março.
                 - Não me diga! E quantos anos tinha o seu pai quando morreu?
                 - E eu disse que meu pai morreu?
                 - Oh, desculpe! Quantos anos tem o seu pai?
                 - O velho tem 81.
                 - 81? Que bom! E quantos anos tinha o seu avô quando morreu?
                 - E eu disse que ele morreu?
                 - Sinto muito. E quantos anos ele tem?
                 - 103, e ainda anda de bicicleta.
                 - Fico feliz em saber. E o seu bisavô? Morreu de quê?
                 - E eu disse que ele tinha morrido? Ele está com 124 e vai casar na
                 semana que vem.
                 - Agora já é demais! - Diz o médico revoltado.
                 - Por que é que um homem de 124 anos iria querer casar?
                 - E eu disse que ele QUERIA se casar? Não queria nada, mas engravidou a moça!..

2011-05-04

O acordo entre a Troika e Portugal visto de França

AFP

Portugal: accord avec l'UE et le FMI sur une aide de 78 milliards de dollars
Le gouvernement portugais est parvenu à un accord avec l'UE et le FMI, en vue d'une aide financière d'un montant de 78 milliards d'euros sur trois ans, assortie d'une réduction "plus graduelle" de son déficit, a annoncé mardi le Premier ministre démissionnaire José Socrates.

"Le gouvernement est parvenu à un bon accord" avec les représentants de la Commission européenne, de la Banque centrale européenne (BCE) et du Fonds monétaire international, chargés de négocier le plan de sauvetage financier demandé par le Portugal, a déclaré M. Socrates lors d'une allocution télévisée.

"Le montant de l'aide extérieure est de 78 milliards d'euros", a indiqué peu après le cabinet de M. Socrates, dans une courte note envoyée à l'AFP.

"C'est un programme sur trois ans, qui définit les objectifs d'une réduction plus graduelle du déficit: 5,9% du PIB cette année, 4,5% en 2012 et 3% en 2013", a précisé M. Socrates, dont le pays s'était jusqu'ici engagé à réduire son déficit à 4,6% cette année, à 3% en 2012 puis à 2% en 2013.

Le déséquilibre des comptes publics portugais s'est élevé en 2010 à 9,1% du PIB, bien au-delà de l'objectif de 7,3% du gouvernement, pour une dette qui s'est alourdie à 160 milliards d'euros (93% du PIB).

Le chef du gouvernement socialiste a toutefois indiqué qu'il ne pouvait pas dévoiler "beaucoup de détails" sur les mesures que le Portugal devra s'engager à mettre en oeuvre en échange de cette enveloppe financière, car elles doivent encore faire l'objet d'une "consultation" auprès des partis de l'opposition.

L'UE et le FMI avaient fait savoir qu'ils exigeraient un "programme d'ajustement" comprenant des mesures d'austérité "ambitieuses" et des réformes structurelles qui engagent les principaux partis politiques portugais au-delà des élections législatives anticipées prévues le 5 juin.

M. Socrates a toutefois précisé que cet accord ne prévoyait pas les mesures évoquées ces derniers jours par la presse, telles que la suppression du 13e et 14e mois des fonctionnaires et des retraités, une réduction du salaire minimum, ou encore des licenciements et des baisses de salaires supplémentaires dans la fonction publique.

"Des mesures budgétaires supplémentaires ne sont pas nécessaires pour 2011", a ajouté, M. Socrates, faisant valoir que "les institutions internationales ont reconnu que la situation portugaise était loin de celle d'autres pays".

Face à la menace d'une rupture de financement en raison des taux d'intérêt prohibitifs exigés par les marchés, inquiets pour la solvabilité du pays, M. Socrates s'est résolu le 7 avril, après de longs mois de résistance à demander une aide extérieure, après la Grèce et l'Irlande l'an dernier.

La pression des investisseurs s'était accentuée après la démission fin mars du chef du gouvernement socialiste minoritaire, désavoué lors du rejet au Parlement de son quatrième programme d'austérité en un an.

Le plan de sauvetage portugais doit être entériné par les ministres des Finances de l'Union européenne, qui se réuniront le 16 mai. Ce délai est crucial pour le Portugal, qui doit rembourser 5 milliards d'euros de dette le 15 juin.

Après une rencontre des membres de la mission de l'UE et du FMI avec des responsables de la principale formation d'opposition, le président du Parti social-démocrate (PSD, centre-droit) Pedro Passos Coelho avait affirmé qu'il ne ferait "pas obstacle à l'aide financière, dans la mesure où le pays en a désespérément besoin".