2012-11-15

Diz o Daniel Oliveira: O que a violência não pode esconder

Já várias vezes escrevi sobre este assunto: na política, como no resto, a violência tem o poder de se impor, de forma despótica, sobre todos os argumentos e sobre todas as outras formas de luta. Ela impõe-se pela sua irracionalidade e pelo seu poder mediático. Ela impõe-se porque replica, na contestação, os códigos do poder do mais forte.
Depois de ter participado numa manifestação pacifica, passei o fim de tarde de ontem, em São Bento, a gritar com os poucos (e eram mesmo poucos) que arremessavam objetos contra a polícia. Tentando explicar-lhes, sem sucesso, que esse era o favor que faziam a quem julgavam que estavam a combater. Fi-lo, desesperado com o que via, porque sabia duas coisas: que aqueles gestos dariam ao governo a desculpa que faltava para reprimir a contestação e que ofuscariam uma excelente greve geral, que deixou claro o isolamento em que o governo se encontra. Mas, acima de tudo, por uma razão: tenho, em relação à violência, uma objeção de princípio. Considero-me um pacifista no sentido mais radical do termo.
Quando, às 17.30, me apercebi que nada pararia uma minoria de idiotas, abandonei o local. Muitos decidiram ficar, mantendo a devida distância dos desordeiros, sem que, como vimos mais tarde, isso os livrasse de ser vítimas da violência policial. Era certa a injustiça: a enorme coragem que tantos trabalhadores portugueses mostraram, ao correr o risco de fazer greve (muitos deles precários e em risco de perderem o emprego) e ao perder um dia de salário que tanta falta lhes faria, seria esmagada pelas imagens de violência que sempre têm a preferência dos media.
Dito isto, há que deixar claras uma contradição e uma mentira do ministro da Administração Interna.
Disse o ministro que as provocações - que existiram - eram obra de "meia dúzia de profissionais da desordem". Se eram meia dúzia (facilmente identificável depois de uma hora e meia de tensão), porque assistimos a uma carga policial indiscriminada, que varreu, com uma violência inusitada e arbitrária, tudo o que estava à frente? Porque foram agredidos centenas de manifestantes pacíficos, só porque estavam no caminho, naquilo que, segundo a Associação Sindical da PSP foi a "maior carga policial desde 1990"? Conheço várias pessoas que, como a esmagadora maioria dos que ali estavam, não participaram em qualquer desacato. Não tendo sequer resistido a qualquer ordem policial foram, segundo os seus próprios relatos, espancadas pelas forças que deveriam garantir a sua segurança. Como é possível que tenham sido detidas dezenas de pessoas no Cais do Sodré e noutros locais da cidade, sem que nada tivessem feito a não ser fugir de uma horda de polícias em fúria e aparentemente com rédea solta para bater em tudo o que mexesse? Entre os detidos e os agredidos estava muita gente que, estando tão longe de São Bento, nem sequer tinha estado na manifestação ou sabia o que se passava. Como é possível que dezenas e dezenas de pessoas tenham sido detidas em Monsanto e na Boa Hora sem sequer lhes tenha sido permitido qualquer contacto com advogados, como se o País estivesse em Estado de Sítio e a lei da República tivesse sido abolida?
Quando a polícia espancou gente pacifica em vários locais da cidade, estava a garantir a ordem pública ou a contribuir para a desordem? Estava a garantir a integridade física dos cidadãos ou a pô-la em causa? Estava a garantir o cumprimento da lei ou a violá-la? Estava a reprimir os "profissionais da desordem" ou a espalhar a desordem pela cidade? O comportamento inaceitável de meia dúzia pode justificar um comportamento arbitrário das forças de segurança, que não poupa ninguém a quilómetros de distância da própria manifestação?
Não, o comportamento de alguns desordeiros não pode, num Estado de Direito, permitir que a polícia se comporte, ela própria, como desordeira. O crime de uns não permite um comportamento criminoso das forças policiais.
O ministro da Administração Interna garantiu que, ao contrário do que foi escrito em vários órgãos de informação, não havia agentes infiltrados na manifestação, a promover os desacatos para excitar os mais excitáveis e justificar esta intervenção. Fico-me por aqui: sei o que vi antes de me vir embora. E os agentes infiltrados começam a ser cada vez mais fáceis de identificar. Já uma vez o ministro desmentiu uma notícia semelhante que depois ficou provada. Espero que outros tenham conseguido recolher imagens que mostrem alguns dos que, no meio da multidão, vão semeando a confusão.
No dia 15 de Setembro elogiei o comportamento das forças policiais. Quando querem evitar o confronto sabem bem como o fazer. Isolando os provocadores e garantindo o direito à manifestação da maioria pacifica. Quando as ordens parecem ser diferentes é fácil contribuir para a violência. Foi o que aconteceu ontem. Uns tantos idiotas de cara tapada e as ordens certas vindas de cima chegam para garantir que uma greve geral com mais adesão do que o esperado pelo governo morra nos telejornais.
Escrito tudo isto, volto ao que é importante: a greve geral de ontem foi uma das maiores da nossa história. E nem os que procuram nas manifestações a excitação que outros encontram nas claques de futebol conseguem esconder isso. E nem a violência indiscriminada que o ministro da Administração Interna mandou espalhar por meia cidade de Lisboa o pode fazer ignorar. Na televisões, foi a brutalidade de uns e de outros que ganhou. Mas o dia de ontem foi bem mais do que isso: foi uma prova de coragem. Os portugueses estão de parabéns.

"São Paulo está a viver uma situação atípica de mortes violentas"

Operação numa favela de São Paulo. O Governo vai investir milhões num novo comando de policiamento para a cidade

Execuções, ajustes de contas, guerras de gangs e da polícia fazem disparar homicídios. Foram mais de 140 em duas semanas na maior cidade do Brasil. "A sociedade está perplexa".
A maior cidade do Brasil tem "um historial de violência", mas o que se está a passar agora "é uma situação de crise", "uma situação atípica de mortes violentas", diz ao PÚBLICO Theodomiro Dias Neto, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas. Só nas últimas duas semanas foram mais de 140 homicídios na Grande São Paulo.

"A cidade saiu do padrão de normalidade. Nos últimos 20 anos tinha reduzido em 70% os homicídios e outros crimes. Nos últimos meses os números voltaram a crescer." Este especialista sublinha que o aumento inclui tanto o número de mortes causadas pela polícia como o número de polícias mortos.

O que está por trás desta onda? "As razões estão em aberto. Em momentos de certa anarquia cria-se um álibi que favorece maus policiais e pessoas que querem acertos de contas. Há certamente acertos de contas de facções criminosas, rivalidades, execuções. E há a própria polícia, retaliando. Os indícios de policiais executados são muito altos." Em suma, "não há uma explicação única, há causas diversas", ressalva Dias Neto. "E cabe ao Estado controlar a situação. É preciso investigar quem está morrendo e porquê. A sociedade está perplexa."

A violência e o medo da violência afectaram transversalmente a cidade, com alterações de linhas de autocarro, encerramentos de lojas e instituições a fecharem mais cedo.

O grande gang paulista é o PCC, Primeiro Comando da Capital, fundado por presidiários, nos anos 90. Muitas ordens de execução continuam a vir das prisões. Vai longa a guerra entre a polícia e o PCC, e o que está a acontecer é visto genericamente como um reaquecer dessa guerra. Mas também há guerras dentro da polícia.

Segundo a Corregedoria da Polícia Militar (PM), alguns polícias terão vendido por 3000 euros, a membros do PCC, uma lista com nomes completos, moradas de casa e telefones de quase cem polícias militares da Grande São Paulo. O documento terá sido levado do 35.º Batalhão da PM de Itaquaquecetuba, um município da zona metropolitana, para facilitar a execução de polícias ou seus familiares. Em 2012, já foram assassinados 93 polícias militares no estado, em parte como retaliação por prisões ou mortes.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, admitiu que o Estado não consegue controlar o uso de telemóveis dentro das cadeias: "Há uma dificuldade em relação à questão de bloqueadores de celulares", disse, anunciando que será estudada uma tecnologia para bloquear áreas pequenas.

A imprensa paulista sublinha que geralmente o governador não reconhece que estejam a ser comandadas execuções a partir das prisões.
Ler mais em http://www.publico.pt/Mundo/sao-paulo-esta-a-viver-uma-situacao-atipica-de-mortes-violentas-1572489

Imagens do Mundo - Lisboa - A policia carrega...

Greve geral: polícia carrega sobre manifestantes (Manuel de Almeida/lusa)
Manuel de Almeida/Lusa

Imagens do Mundo - Manifestacão em Lisboa

Greve geral: confrontos entre polícia e manifestantes (José Sena Goulão/Lusa)

A imagem do dia 15-11-2012

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Solar Eclipse over Queensland
Image Credit & Copyright: Phil Hart

Explanation: This month's New Moon brought a total solar eclipse to parts of planet Earth on November 13 (UT). Most of the total eclipse track fell across the southern Pacific, but the Moon's dark umbral shadow began its journey in northern Australia on Wednesday morning, local time. From along the track, this telescopic snapshot captures the Moon's silhouette in skies over Queensland along the Mulligan highway west of Port Douglas. Almost completely covered, the Sun's disk is seen still surrounded by a hint of the faint solar corona. Planet-sized prominences stretch above the active Sun's edge. Sunlight streaming through gaps in the rugged profile of the lunar limb creates the brilliant but fleeting Baily's Beads.

2012-11-14

Greve em Portugal: Entre 20 a 30 feridos após carga policial em manifestação junto ao Parlamento


Depois de mais de uma hora de muita tensão, as forças de segurança avançaram sobre os manifestantes. Polícia sustenta que estava em causa “a integridade física dos agentes”. Imagens de violência chegaram lá fora, com a “CNN” a transmitir em directo os incidentes.
A PSP iniciou às 18h16 uma carga policial sobre os manifestantes que se concentraram esta quarta-feira junto à Assembleia da República. Ao que a Renascença apurou junto de fontes policiais, há pelo menos entre 20 a 30 feridos.O Hospital de São José, em Lisboa, já deu entrada a oito feridos, dos quais quatro são jornalistas. Dois dos profissionais da comunicação social assistidos no S. José sofreram ferimentos durante a carga policial e outros dois tinham sido feridos anteriormente, devido ao arremesso de pedras da parte de alguns manifestantes.

Oficialmente, a PSP não confirma números e diz apenas que ”há vários feridos e detidos”, sem quantificar. A polícia reserva um balanço para mais tarde. Tendo em conta a natureza da situação, faltam ainda muitas horas para que se saiba oficialmente quantos detidos e feridos há a registar.
Antes da intervenção da polícia, havia confirmação oficial de cinco feridos, que foram atingidos por pedras atiradas por manifestantes. Uma fotojornalista da France Press que já tinha sido ferida na greve geral anterior sofreu um traumatismo craniano depois de ter sido atingida por uma das pedra arremessadas.
Após mais de uma hora de muita tensão, as forças de segurança decidiram avançar sobre a multidão às 18h16. Os elementos do corpo de intervenção da PSP começaram por usar um megafone para pedir a dispersão dos manifestantes e avançaram posteriormente com bastões e cães por não se ter verificado qualquer recuo.
A multidão começou a dispersar de imediato perante a decisão da polícia. As imagens foram transmitidas em directo pela cadeia televisa norte-americana “CNN”.
No rescaldo da carga, surgiram vários focos de incêndio nas imediações da Assembleia da República, sobretudo na Avenida D. Carlos I. As ruas foram cortadas e deslocaram-se para o local muitos carros de bombeiros e ambulâncias.
Jairo Campos, subcomissário da PSP, justifica a intervenção da polícia com a defesa da “integridade física” dos agentes, dizendo que “não houve outra hipótese”. Antes de avançarem sobre a multidão, os elementos da PSP foram alvo de arremesso de várias pedras arrancadas da calçada junto à escadaria da Assembleia da República, que foram atiradas por dezenas de manifestantes de cara tapada. Algumas das pedras partiram quatro escudos do cordão policial.

As barreiras metálicas de protecção já tinham sido derrubadas anteriormente pelos manifestantes, o que levou a PSP a reforçar o cordão policial com mais elementos do corpo de intervenção. Num dos momentos de tensão que se viveram junto ao Parlamento, um dos manifestantes conseguiu tirar um escudo ao elemento do corpo de intervenção, devolvendo-o de seguida pintado com a palavra “povo”.
Os momentos de tensão começaram a sentir-se de forma mais significativa após as 17h00, depois do fim da marcha de protesto contra a austeridade marcada pela CGTP. Esta quarta-feira foi dia de greve geral em Portugal.
PORTUGAL SEM PASSAPORTE - BRASIL

Dialogo sobre a manifestacão de Lisboa

 
- "Os chefes de toda essa capangada não sabem o que é
respeito, ordem e vergonha na cara. Procedem como os
cães aluados que ladram à volta do rebanho conduzin-
do-o irremediàvelmente para o precepício.
PORTUGAL só tem a perder com esta ESCUMALHA....."
ochexplosiv
 
- "Mas ninguém questiona DE QUEM É A CULPA?
Quem criou mais de 1 milhão de desempregados?
Quem é que permite que mais de 2 milhões de portugueses vivam no limiar da pobreza?
Quem permite que haja milhares de cidadãos a passar fome e já não tenham que dar de comer aos filhos?
Quem permite o aumento desmesurado de sem abrigos?
Quem permite as falências e o encerramento diario de dezenas de empresas?
Quem permite que se prometam grandes facilidades fiscais para que os alemães se instalem no pais e se criem permanentes dificuldades fiscais as nossas empresas?
Quem tolera que sejamos governados por quem disse que não fazia e acabou por fazer e quem disse que fazia e não fez?
Quem permite que sejamos governados por uma cambada de mentirosos sem escrupulos?
Quem permite que se diga que num país altamente corrupto não há corrupação?
Quem permite que sejamos governados por quem está comprometido com favores e interesses nas nacionalizações?
Quem permite que os corruptos condenados a penas de prisão não as cumpram porque são politicos?
Quem permite qua a AR esteja pejada de advogados que apenas pugnam pela defesa dos seus interesses e dos seus clientes?
Quem permite que a ministra Cristas já tenha anunciado a liberalização da plantação de eucaliptos sabendo-se do um ministro do governo é o presidente da assembleia geral de uma empresa de celulose?
Enfim quem permite toda esta chulice?
Quem permite que os nossos jovens, à semelhança do salazarismo, tenham que emigrar para sobreviver?
Quem permite que quem gastou milhões na compra de submarinos de que não precisamos para nada continue a decidir os destinos deste país?
Quem permite a degradação do ensino, dos serviços de saúde, dos apoios sociais, etc.?
Quem permite que se façam doutores em apenas um ano quando os restantes cidadãos tenham que passar anos nas universidades?"
beiramar
SOL

Feridos junto à Assembleia da Republica


A polícia iniciou cerca das 18h20 uma carga contra os manifestantes que se encontram junto à Assembleia da República, utilizando bastões e cães para afastar as pessoas da escadaria.
Os elementos do corpo de intervenção da PSP, depois de ter avisado por megafone os manifestantes para dispersarem, desceram as escadas e avançaram com bastões para os manifestantes que atiravam pedras da calçada contra as forças policiais desde as 17h00.
Em resultado dos confrontos houve várias detenções e vários feridos, entre polícias e manifestantes estando neste momento varias artérias daquela zona de Lisboa cortadas.
Segundo o subcomissário Jairo Campos, porta-voz do Comando Metropolitano de Lisboa, a carga policial sobre os manifestantes ocorreu devido ao constante arremesso de pedras contra os elementos do corpo de intervenção.
Adiantou que a carga policial foi "a medida mais adequada para poder por termo à integridade física dos agentes que estavam na primeira linha e que foram provocados durante 45 minutos".
A PSP ainda não tem o balanço do número de detidos e de feridos, estando ainda a apurar esses dados.
Segundo a PSP, várias ambulâncias do INEM estão a caminho do hospital.
O subcomissário Jairo Campos disse que após a carga policial os ânimos ficaram mais calmos.
Ainda segundo o subcomissário antes da carga policial, a PSP advertiu os manifestantes que a carga ia acontecer e momentos depois lançou três bombas de indicação de desordem pública.
Os agentes policiais avançaram em direcção aos manifestantes dispersando-os em poucos minutos. As pessoas fugiram para as ruas em redor do parlamento.
Em algumas dessas ruas foi ateado fogo a contentores do lixo que continuam a arder.
Na avenida D.Carlos I há vários caixotes do lixo e vidrões em chamas.
Os manifestantes concentraram-se no final da avenida já perto do largo de Santos, junto ao Regimento de Sapadores de Bombeiros de Lisboa.
[actualizado às 19h14]
Lusa/SOL

Imagens do Mundo - Australia

O eclipse solar total é visto nesta quarta-feira (14), em Queensland, na Austrália. O processo de três horas em que a Lua bloqueia o Sol só é visível para quem está no norte do país
O eclipse solar total é visto nesta quarta-feira (14), em Queensland, na Austrália. O processo de três horas em que a Lua bloqueia o Sol só é visível para quem está no norte do país - Greg Wood/AFP

A imagem do dia 14-11-2012

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Meteor and Moonbow over Wallaman Falls
Image Credit & Copyright: Thierry Legault

Explanation: Which feature takes your breath away first in this encompassing panorama of land and sky? The competition is strong with a waterfall, meteor, starfield, and even a moonbow all vying for attention. It is interesting to first note, though, what can't be seen -- a rising moon on the other side of the camera. The bright moon not only illuminated this beautiful landscape in Queensland, Australia last June, but also created the beautiful moonbow seen in front of Wallaman Falls. Just above the ridge in the above image is the horizontal streak of an airplane. Toward the top of the frame is the downward streak of a bright meteor, a small pebble from across our Solar System that lit up as it entered the Earth's atmosphere. Well behind the meteor are numerous bright stars and nebula seen toward the center of our Galaxy. Finally, far in the background, is the band of our Milky Way Galaxy, running diagonally from the lower left to the upper right in the image but also circling the entire sky.