2020-05-06

Texto - Julia, meu bébé


Meu bebé, porque é que tanto choro nesta esperança salgada de lagrimas inuteis… Nossa vida, longe de ser perfeita, durou 45 anos... com altos e baixos com momentos pulgentes  e outros nem assim tanto ; como acontece em todos os casais. Nos baixos poderiamos contabilizar as minhas "ausências" devido muitas vezes à necessidade de espaço, voar e da abstração imperiosa de me libertar... Tu foste uma esposa sempre sincera. No dia 7 de outubro de 2019, recebemos tu e eu a noticia da nossa doença… Tentei brincar contigo em tipo de aposta para ver quem sairia primeiro de toda esta treta… Ganhas-te bebé e eu perdi a alegria de viver : até breve meu bebè. A tua e minha futura casinha sabes onde é? Desculpa, dis-me so que aquele arco-iris invertido no inicio da missa, foi sinal teu ? …

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Et en cet horizon effacé par des larmes de désespoir puis-je continuer, à respirer, continuer à vivre sans aucun espoir ?


Marianne, ta fille, loin de l'horizon lointain continue de t'aimer de plus en plus. C'est elle qui va constamment sur ta tombe amener les fleurs que tu aimes tant !

Julia, mon bébé, un dernier message ce soir… Les mots que tu m'as répétés à l'aube de ton départ : "Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai…"

Suis-je une vie spirituelle réincarnée : ce n'est pas impossible... pourquoi pas ?

Vais-je continuer de me considérer comme  un maillon minuscule dans l'espace-temps ? Dérisoire serait d'avoir quelque autre prétension ;  pourquoi sommes-nous nés ? Pour vivre une vie très courte, pleine de malheurs qui nous détruisent petit à petit ?


Mourir n'est pas mourir.

Vivez avec espoir… La vie n'est pas la mort...



05-05-2020

PS : Ni, Dan, Sophie, Titi,  Nana! Gariguette, Imanol, Meyya, Noah, Sandro, Bou bou,  Sachez que je suis immortel ; c'est embétant. Mais c'est comme ça...

2020-04-25

Texto : "Mais Zé Bigodes, ou a parolice rendida"

Lembrar-se-à daquela cena bizarra passada poucos anos atràs em que o pai da namorada entrou no "barracão" do baile e gritou :

"alto e para o baile ! Quem apalpou o cu da minha filha ?..."

Levanta-se um parolo, pensando estar a ser designado e, com voz trémula conseguiu dizer : "Eu não fui, sôr Zé Bigodes, eu até sou paneleiro..."

Como o Zé Bigodes aparentava uma certa satisfação com o agacho do Meireles, aproveitando a conversa difusa que no meio dos copos se tinha instaurado, aproveitei para dizer bem alto :

« Eu vivo sempre a pensar », proferi ; e logo dis o outro: se esse gajo não pensasse é porque estaria morto ou panasca... Ah Ah Ah... gargalhadas intensas...

Mas fês-se enfim o silêncio... e aproveitando a trégua expeli :

"Gosto muito das achegas populares ; aliàs sou do Povo... O Meireles foi muito mais que vocês : foi ingenuamente sincero ; disse aquilo que alguns são, sem no entanto o exprimirem.

Não, não sou homosexual mas sempre defendi amigos que o eram contra a bestialidade normalizada.


Boa noite meus senhores !"

25-04-2020
JoanMira

Fotografia - "25 de abril de 1974 : perfume de liberdade"

"25 de abril de 1974 : perfume de liberdade"

25-04-2020
Piedade de Araujo Sol